O primeiro Oscar foi entregue em 1929. Apenas 11 anos depois, tivemos a primeira indicação de uma pessoa negra ao prêmio. Hattie McDaniel levou a estatueta de melhor atriz coadjuvante por seu papel Mammy, a empregada de “…E o Vento Levou” em 1940.


“Eu vou segurá-lo [o Oscar] como um farol para tudo o que eu fizer no futuro. E eu espero, sinceramente, que eu seja sempre um crédito para a minha raça e à indústria cinematográfica” (Hattie McDaniel)

Passaram-se 24 anos até o segundo “Oscar preto”. Sidney Poitier foi o primeiro homem negro a ganhar o prêmio como melhor ator  em “Uma Voz nas Sombras”. A primeira e única mulher negra premiada como melhor atriz foi Halle Berry, em 2002, com “A Última Ceia”. Outras sete ganharam como melhor atriz coadjuvante. A Academia já premiou 171 mulheres. Dessas, apenas OITO eram negras. Menos de 10% do total.
Depois de sofrer protestos e boicotes em 2016 por não ter nenhum nome negro entre os indicados das categorias de atuação pelo segundo ano consecutivo, 2017 bateu marcas importantes. 

  • O número de atores negros indicados chega a seis, e bate o recorde de cinco indicações em 2006 e em 2004.
  • É o primeiro ano em que há atores negros concorrendo em todas as categorias de atuação.
  • Viola Davis se tornou a primeira mulher negra a ser indicada três vezes.
  • Entre os homens, Denzel Washington quebrou seu próprio recorde com a sétima indicação.
  • É o primeiro ano em que há três negra(os) concorrendo em uma mesma categoria: Viola Davis, Naomi Harriz e Octavia Spencer disputam em atriz coadjuvante.
  • Joi McMillon, de “Moonlight”, é a primeira mulher negra na categoria de edição.
  • Barry Jenkins, diretor e produtor de “Moonlight”, se tornou o primeiro negro indicado nas categorias de melhor diretor, filme e roteiro adaptado.

Querendo deixar para trás de vez a hashtag criada em 2016 #OscarSoWhite, a Academia voltou a dar destaque ao trabalho desenvolvido pelos profissionais negros em 2018. Agora, em 2019, já entramos para a história nas indicações.

Pantera Negra desbanca todos os super-heróis e se torna o primeiro do gênero a ser indicado como melhor filme, além de concorrer em mais SEIS categorias: trilha sonora, canção original, mixagem de som, edição de som, direção de arte e figurino. É um filme de fantasia, mas longe de ser bobo. É político, ancestral, feminista e visualmente de encher os olhos.
Infiltrado na Klan pode corrigir uma injustiça: dar a estatueta de melhor diretor a Spike Lee e coroar seus 42 anos de carreira. O longa concorre também a Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver).
Ainda precisaremos balançar as “mamães-sacode” e preparar cartazes para Green Book – O Guia, com 5 indicações: Filme, Ator (Viggo Mortensen), Ator Coadjuvante (com Mahershala Ali podendo ser premiado pela segunda vez), Roteiro Original e Montagem.
E “Se a Rua Beale Falasse”, com três indicações: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz Coadjuvante.
Vale apontar, inclusive, que, apesar de terem pelo menos 4 filmes com a “pauta” negra na lista e, por isso mesmo, com muitos personagens negros e negras no enredo, dentre os indicados na categoria principal, só há pessoas negras concorrendo nas de Coadjuvante, sendo a proporção de 4 brancos pra 1 preto.

Torcerei por todas as indicações pretas, mas confesso que minha predileção vai para Wakanda arrastar tudo que estiver pela frente. Ver crianças orgulhosas de serem negras e se reconhecerem em um super-héroi foi demais pro meu coração.

Na sua 91ª edição, quero ver o Oscar trocar… #OscarSoWhite por #WakandaForever.

 

 

 

 

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