“O Neabi é um espaço potencial para possibilitar e garantir a inserção nos espaços acadêmicos das problemáticas enfrentadas pelas populações negra e indígena e, dessa forma, fortalecer o ensino da cultura afro-brasileira e indígena definido como obrigatório pela Lei 10.639/03, alterada pela 11.645/08”. Assim analisa a coordenadora do Neabi do campus Quixadá, Danielle Rodrigues da Silva.

 

Neabi Quixadá

 

Formado em 2016, o espaço recebeu apenas em 2017 uma equipe formalizada por meio de portaria do IFCE. São várias as atividades desenvolvidas, planejadas ou não, pois demandas acadêmicas e da comunidade externa podem resultar em ações. Palestras, rodas de conversa, visitas a comunidades quilombolas, cine debates, oficinas, reuniões, comissão de heteroidentificação e grupos de estudo são algumas das ações promovidas.

Algumas merecem destaque, segundo coordenadora, como o “Sarau África Nós”, a “Semana da Consciência Negra” e o projeto “Vai ter Negro no IFCE, sim, Senhor!”. Esse último foi desenvolvido na comunidade quilombola da Serra do Estevão, em Quixadá, onde os estudantes tiveram aulas preparatórias para as seleções nas universidades da região e oito deles foram aprovados na Unilab.

Desde o início de 2019, o Neabi também tem encaminhado um grupo de estudo sobre heteroidentificação para compreender melhor a aplicação das cotas raciais. “Como professora de Licenciatura em Geografia e participante do Neabi há dois anos, avalio que os debates que o grupo promove são fundamentais, principalmente numa instituição com caráter tão técnico quanto o IFCE. Além disso, é preciso discutir e desconstruir as práticas racistas, paternalistas, misóginas, machistas e homofóbicas que existem em nossa sociedade, assim como com as injustiças perpetradas sobre as minorias sociais que tendem a serem invisibilizadas na sociedade brasileira”, pontua Danielle.

A JUVENTUDE RENOVA A LUTA
Francisco Romário de Sousa Holanda, estudante de Licenciatura em Teatro no IFCE, já havia ouvido falar do Neabi de Fortaleza na Internet e no contato com militantes do Movimento Negro.

Em agosto de 2018, durante a organização da Marcha Contra o Racismo, encontrou com a professora Anna Érika e soube da reativação do espaço. Há dez meses como integrante do Núcleo, Romário participou de diversas atividades, como o curso de extensão em Danças Africanas Ancestrais, a Marcha Contra o Racismo e Intolerância Religiosa, a I Exposição A Cara Negra do IFCE – Empoderamento e Resistência, entre outras atividades que perpassam o enfrentamento ao racismo junto aos movimentos negros.

“Os Neabis têm fundamental importância na luta antirracista dentro das instituições. Eles pautam o racismo estrutural e estruturante presente no IFCE, construindo um espaço de debates e enfrentamentos às práticas discriminatórias voltadas à população negra. Questiona as violências naturalizadas. Torna visível e viável o debate acerca de uma educação que oportunize à população negra um entendimento e empoderamento sobre as questões que estão em torno, garantindo, assim, espaços de fala e atuação na intuição” destaca o estudante.

Aluna do curso de bacharelado em Turismo, Carolinne Melo dos Santos teve como motivação para fazer parte do Neabi a perspectiva de trabalhar com comunidades tradicionais, aprender mais sobre cultura e ter uma vivência que não se encontra nos livros ou em sala de aula.

Para a estudante, fazer parte do Núcleo tem um significado especial. “Me mudou muito como pessoa. Aprendi bastante sobre meu lugar como mulher branca, como posso ser antirracista, sobre racismo, lugar de fala e como a sociedade é racista e muitas vezes eu não tinha essa percepção”, explica.

 

TEXTO DE RAFAEL AYALA.

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