“Se você puder colocar poeta, agradeço. Também usamos essa nomenclatura como uma forma de romper com o sentido masculino que ela carrega. Desde Cecília Meireles: ‘Não sou alegre nem sou triste. Sou poeta’”. Esse é o pedido inicial de Ma Njanu, poeta, não poetisa, e assistente social, responsável por um trabalho de mapeamento das escritoras negras em Fortaleza.

 

De acordo com ela, a iniciativa surgiu por uma necessidade de identificar um local ou movimento onde se encontrassem outras mulheres pretas que escrevem para partilhar suas “escrevivências”, um neologismo para falar do amálgama entre escritos e vivências.

 

“Componho a Rede de Mulheres Negras do Ceará e estou em outros espaços voltados para nós, enquanto pessoas negras. Mas, como poeta, eu dificilmente achava espaços exclusivos. Na verdade, o desejo maior era encontrar um lugar onde eu visse pretas se reunindo pra falar sobre suas poesias, promover seus escritos e apoiar umas às outras. A gente às vezes acha que a literatura é algo que não nos pertence. Segundo uma pesquisa de um grupo de estudos da UNB, a maioria das publicações a respeito de literatura aqui no Brasil é feita por homens brancos e da classe média. Esses dados são assustadores. O mapeamento surge de maneira independente e tem por objetivo identificar essas pretas e depois nos reunirmos pra pensar a nossa poesia”, destaca.

 

A iniciativa é voltada para mulheres negras que escrevem e visa criar ações de fortalecimento por meio de encontros, formações e oficinas. Ainda não há um projeto montado, mas a divulgação vem sendo feita por meio das redes sociais.

 

Os interessados devem enviar nome e contato (e-mail, perfil no Instagram e telefone) para livreliricamarginal@gmail.com.

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