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5 de Agosto, 2021
primeiro escalão

Comunidade negra fica sem representante no primeiro escalão do Governo Camilo

A crise na segurança pública cearense neste começo de 2019 encobriu algo fundamental a se pensar sobre a composição do novo secretariado do governador Camilo Santana. O petista chega ao segundo mandato com novidades no primeiro escalão estatal.

Camilo foi o candidato a governador mais bem votado do Brasil nas eleições de outubro passado. Reelegeu-se logo no primeiro turno, com quase 80% dos votos, uma votação histórica, para gerir um estado que, como já dissemos inúmeras vezes aqui no Ceará Criolo, tem maioria autodeclarada negra.

Essa composição populacional, no entanto, não se reflete na linha de frente do Governo petista. E o que era ruim piorou no tocante à representatividade. De 2015 a 2018, apenas um gestor era negro: Dedé Teixeira, deputado estadual candidato à reeleição derrotado nas urnas e cujo espaço político diminuiu consideravelmente nos últimos anos.

A partir de agora, com uma máquina mais enxuta, Camilo não terá negros ocupando os cargos mais altos do Estado. Serão 19 homens e (apenas) três mulheres. Todos brancos.

Ah, Bruno, mas que coisa mais sem importância! Os secretários devem ser escolhidos por competência e não por cor de pele. No mundo ideal, quando todos tiverem acesso às mesmas oportunidades e rendas, até pode ser assim. Mas no mundo real, esse onde um negro tem 70% mais chance de ser assassinato do que um branco? Não. Não é sem importância.

Representatividade é algo fundamental. Só vendo negros em espaços de poder é que a juventude se sente capaz de, um dia, também estar lá. E sim o Governo tinha quadros capacitados o suficiente para ocupar o primeiro escalão. Dentro dos membros da própria gestão, diga-se de passagem. Gente que estava no segundo ou terceiro escalão e podia perfeitamente ter subido de patamar.

Mas não. Ainda estamos diante de gestões que perpetuam duas práticas nefastas: o embranquecimento das coisas/pessoas e a invisibilização da população negra. Propositadamente ou não, isso acontece. Todo dia. A todo momento. Em todos os lugares. O que não significa que a gente tenha que silenciar.

Implica, na verdade, no oposto. Esse tipo de situação exige que a gente se posicione. Questione. Peça por uma resposta plausível.

Num estado com tanta produção científica, com estudiosos tão qualificados, com gente tão inteligente e bem posicionada politicamente, nenhum negro estava à altura de um cargo assim?

Difícil de acreditar.

O Palácio da Abolição, sede do Governo cearense, só tem brancos no seu primeiro escalão.

Sintomático.

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