10 de Maio, 2021
Grupo se mobiliza para garantir que estudantes negros consigam fazer Enem deste ano

Grupo se mobiliza para garantir que estudantes negros consigam fazer Enem deste ano

Enem teve 2,8 milhões de inscritos este ano. E milhares de estudantes negros afetados pela pandemia estão com problemas para quitar taxa

Uma mobilização está sendo feita na Internet para garantir que estudantes negros sem condições de pagar a taxa de adesão ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) efetivem a inscrição e façam as provas. A ideia é que boletos sejam “adotados” por quem se dispõe a ajudar.

Cada um custa R$ 85. “Eu me dispus a pagar três taxas de inscrição para três jovens. Era só mandarem os dados deles e eu pagaria o boleto ou enviaria o dinheiro por transferência”, relata a idealizadora da ação, a podcaster Lyara Vidal, que não imaginava a difusão tão rápida da ideia nas redes sociais.

Ao tomar conhecimento da atitude de Lyara, um grupo de caririenses lançou o projeto nas redes. A proposta já ganhou pelo menos 150 voluntários, cujos pedidos de adoção estão sendo sistematizados. “A gente fez um formulário pros voluntários preencherem com nome, e-mail e quantidade de boletos que podem pagar. Estamos agora nos organizando para fazer a divulgação”, detalha o talbém podcaster Luan Alencar.

Jovens negros de qualquer região do Brasil podem solicitar a ajuda dessa mobilização. O grupo está articulando a criação de perfis em redes sociais para facilitar o acesso tanto de jovens quanto de padrinhos até o dia 10 de junho, quando encerra o novo prazo para pagamento do boleto.

O Enem registrou este ano 2,8 milhões de inscrições, das quais cerca de 300 mil estudantes não pagaram o boleto até 28/5, primeiro prazo para quitação. Diante disso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela operacionalização do exame, prorrogou a data para um novo documento até a próxima semana.

É preciso considerar que muitos estudantes negros de baixa renda perderam o prazo para solicitação da isenção, uma vez que grande parte tem dificuldades no acesso à Internet em casa e fazia uso das redes escolares, fechadas em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

O grupo do Cariri se coloca como intermediador entre pessoas que se dispõem apadrinhar os jovens e os estudantes que serão beneficiados com a ação. Ainda não se sabe a quantidade de alunos alcançados.

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