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26 de Julho, 2021
Cintura Fina foto dos autos 25 07 1953

Travesti negra Cintura Fina é retratada em biografia

A história da travesti cearense conhecida como Cintura Fina, um ícone negro e LGBTQIA+ da década de 1950, virou livro. “Enverga, mas não quebra” já está à venda. Para comprar, clique aqui.

Apesar de nascida no Ceará, Cintura Fina fez história em Belo Horizonte (MG) e foi amplamente retratada pelo noticiário entre as décadas de 1950 e 1980. Era muito conhecida nos arredores da boemia dos bairros Bonfim e Lagoinha, onde, conforme enaltece a editora, “comprou briga com uns, defendeu outros.”

Cintura Fina já foi retratada pela televisão. Apareceu na minissérie Hilda Furacão, da TV Globo, nos anos 1990. Foi interpretada pelo ator Matheus Nachtergaele.

Negra de 1,74m de altura, Cintura Fina era imponente. Alvo de constantes agressões da Polícia, foi presença contínua em delegacias devido ao hábito de resistir e reagir a abusos numa época na qual o preconceito era ainda mais forte do que agora. Para se defender, usava uma navalha, o que lhe rendeu 11 inquéritos policiais por furto e lesão corporal. A intimidade com o artefato era tamanha que ela chegou a dar aulas de como manuseá-lo.

“Em 1953, em sua primeira detenção policial na cidade, ela foi levada para a delegacia vestida com traje feminino, maquiada, sobrancelhas pinçadas, unhas esmaltadas, cabelos cortados ao modo feminino. Isso foi uma constante nessas duas décadas. Era ousadia suficiente aos olhos da população e da imprensa, que viam isso como excentricidade e rompimento de regras sociais”, contextualiza o escritor Luiz Morando, autor do livro.

Por outro lado, são vários os relatos da época sobre a solidariedade e a generosidade da travesti, sempre dedicada a resolver problemas sociais e de confronto junto à população mais vulnerável, especialmente entre as prostitutas.

Assim como ainda acontece com a imensa maioria da população travesti, Cintura Fina não encontrou outra possibilidade de renda senão a prostituição. Anos depois, aprendeu o ofício de alfaiate. Viveu no meio da boemia belo-horizontina e seu nome acabou ganhando holofotes entre policiais, malandros, bêbados e prostitutas.

Ousada para a época, Cintura Fina não aceitava que alguém questionasse sua identidade sexual. Ter a aparência que conjugava traços femininos e masculinos causava estranhamentos na sociedade. A imprensa era cruel no uso dos termos para se referir à comunidade LGBT. As travestis eram “as anormais da cidade”, as lésbicas eram chamadas de “trogloditas”, enquanto “invertidos” era o termo direcionado aos gays.

capa Enverga
Livro tem 340 páginas e custa R$ 58

Nascida em 1933, Cintura Fina morreu aos 62 anos, na cidade mineira de Uberaba, onde passou os últimos 15 anos de sua vida.

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