23 de Setembro, 2020

Ceará Criolo é único veículo do estado a compor mapeamento “Mídia Negra do Brasil”

Mapeamento foi feito pelo Fórum Permanente pela Igualdade Racial (Fopir) e disponibilizado em e-book que pode ser baixado gratuitamente (link abaixo). Ceará Criolo existe há quase dois anos e foi o primeiro veículo on-line do estado a ter linha editorial exclusivamente de inclusão da população negra

O Ceará Criolo é o único veículo de comunicação do Ceará a compor o mapeamento “Mídia Negra do Brasil”, feito pelo Fórum Permanente pela Igualdade Racial (Fopir). Os dados constam em e-book lançado nessa quarta-feira (5/8) pela entidade. Para acessar, clique aqui.

Sessenta e cinco iniciativas foram localizadas em todo o país, sendo 44,4% autodeclaradas veículos de comunicação, 12,7% coletivos e 7,9% organizações não governamentais (ONGs), dentre outras classificações, como associação, canal no YouTube, Instablog, movimento, grupo de ativismos e pesquisas etc.

Conforme o levantamento do Fopir, a primeira dessas iniciativas data de 1965. Desde então, o ano que mais registrou surgimento de mídias negras no Brasil foi 2018, com 15 casos – dentre eles o Ceará Criolo, que foi ao ar em 28 de outubro, quando também ganhou o prêmio de Melhor Produto de Comunicação para Promoção da Igualdade Racial do Ceará, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas (Sindjorce).

O Sudeste é a região brasileira com mais mídias negras. Concentra 44,6% do total. O Nordeste aparece logo em seguida, com 35,4%. O Sul tem 16,9% das iniciativas.

No tocante à composição por gênero autodeclarado, a maioria dessas mídias é mista. Ou seja: homens e mulheres fazem parte da equipe. Em 31% deles, somente mulheres produzem algo. Em 23%, apenas homens. A faixa etária majoritária é de 30 a 40 anos: 49,2%.

A maioria das mídias é feita por jornalistas que atuam em movimentos sociais. E essas iniciativas se mantêm com recursos próprios, publicidade, voluntariado e editais.

O FOPIR
O Fopir é uma coalização de organizações antirracistas que visa desenvolver estratégias e ações de diagnóstico, mobilização, comunicação e incidência política capazes de deflagrar um debate amplo e democrático em prol do enfrentamento do racismo e na defesa das políticas de promoção da igualdade racial e de gênero. Existe há oito anos e apresentou o conteúdo do mapeamento (que agora vira e-book) em outubro do ano passado, durante seminário em Belo Horizonte (MG).

“Para o Fopir, mídias negras são espaços de comunicação social produzidos por pessoas negras que tratam de pautas e temas sobre a vivência das pessoas negras e sobre a luta contra o racismo. Essas mídias podem atingir públicos locais, em contextos comunitários, a níveis estadual, regional, nacional ou internacional. (…) Pensar a comunicação para o Fopir é fundamental porque reflete, por exemplo, os desafios das mídias negras no Brasil que, historicamente, resistem para assegurar a produção de narrativas que transformem consciências, levando em consideração todas as complexidades em que estão inseridas as populações negras”, pontua o Fopir no e-book.

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