19 de Setembro, 2020

Grupo se mobiliza para garantir que estudantes negros consigam fazer Enem deste ano

Enem teve 2,8 milhões de inscritos este ano. E milhares de estudantes negros afetados pela pandemia estão com problemas para quitar taxa

Uma mobilização está sendo feita na Internet para garantir que estudantes negros sem condições de pagar a taxa de adesão ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) efetivem a inscrição e façam as provas. A ideia é que boletos sejam “adotados” por quem se dispõe a ajudar.

Cada um custa R$ 85. “Eu me dispus a pagar três taxas de inscrição para três jovens. Era só mandarem os dados deles e eu pagaria o boleto ou enviaria o dinheiro por transferência”, relata a idealizadora da ação, a podcaster Lyara Vidal, que não imaginava a difusão tão rápida da ideia nas redes sociais.

Ao tomar conhecimento da atitude de Lyara, um grupo de caririenses lançou o projeto nas redes. A proposta já ganhou pelo menos 150 voluntários, cujos pedidos de adoção estão sendo sistematizados. “A gente fez um formulário pros voluntários preencherem com nome, e-mail e quantidade de boletos que podem pagar. Estamos agora nos organizando para fazer a divulgação”, detalha o talbém podcaster Luan Alencar.

Jovens negros de qualquer região do Brasil podem solicitar a ajuda dessa mobilização. O grupo está articulando a criação de perfis em redes sociais para facilitar o acesso tanto de jovens quanto de padrinhos até o dia 10 de junho, quando encerra o novo prazo para pagamento do boleto.

O Enem registrou este ano 2,8 milhões de inscrições, das quais cerca de 300 mil estudantes não pagaram o boleto até 28/5, primeiro prazo para quitação. Diante disso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela operacionalização do exame, prorrogou a data para um novo documento até a próxima semana.

É preciso considerar que muitos estudantes negros de baixa renda perderam o prazo para solicitação da isenção, uma vez que grande parte tem dificuldades no acesso à Internet em casa e fazia uso das redes escolares, fechadas em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

O grupo do Cariri se coloca como intermediador entre pessoas que se dispõem apadrinhar os jovens e os estudantes que serão beneficiados com a ação. Ainda não se sabe a quantidade de alunos alcançados.

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