18 de Setembro, 2020

Kwanzaa, a festa negra celebrada após o Natal

A festa do Kwanzaa é uma celebração da comunidade afro-americana que acontece logo após o Natal dos cristãos. Vai de 26 de dezembro até 1º de janeiro do ano seguinte, e é comemorada principalmente nos Estados Unidos.

Durante uma semana de festejos, o Kwanzaa celebra herança, união e cultura africanas. Além dos EUA, a tradição tem se estendido para outras regiões, como Canadá, Inglaterra e Caribe, e sido abraçada por pessoas afro-americanas e negros da diáspora africana.

A palavra kwanzaa vem da frase “matunda ya kwanza”, da língua suaíli, e significa “os primeiros frutos”. Suaíli é uma língua bantu e está presente em mais de dez países africanos. A celebração do Kwanzaa é regida por princípios que se interligam e carregam significados.

Cada dia de festa é representado e refletido a partir de um princípio diferente. O símbolo do Kwanzaa é um castiçal com sete velas, três verdes, três vermelhas e uma preta, todas representando os princípios. 

São sete princípios do Kwanzaa:

umoja (unidade): permanecer unido com a família, raça e comunidade;
kujichagulia (autodeterminação): ter responsabilidade em relação ao seu próprio futuro;
ujima (trabalho coletivo e responsabilidade): construir a comunidade juntos e resolver qualquer problema como um grupo;
ujamaa (economia cooperativa): ter a construção e os ganhos da comunidade por meio de suas próprias atividades;
nia (propósito): ter como objetivo de trabalho em grupo construir a comunidade e expandir a cultura africana;
kuumba (criatividade): utilizar de novas ideias para organizar uma comunidade mais bonita e bem-sucedida;
imani (fé): honrar os ancestrais, as tradições e os líderes africanos, celebrando os triunfos do passado sob as adversidades.

ORIGEM

Os rituais dessa festa de caráter religioso passaram a existir após as revoltas do distrito de Watts durante o período de 11 a 15 de agosto de 1965, em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Marquette Frye, um rapaz afro-americano de 21 anos, foi parado na noite de 11 de agosto por um policial de moto por suspeita de dirigir sob efeito de álcool. Outros policiais foram chegando ao local e tentaram prender o jovem usando da força física. A situação foi ficando intensa quando moradores se aproximaram e começaram a atingir os policiais com objetos. Os protestos se estenderam pelos dias seguintes. Ao final de tudo, o saldo foi: 34 mortes, 1.032 feridos, 3.438 prisões e mais de 40 milhões de dólares americanos em danos materiais.

Com as reflexões trazidas pelos dias caóticos de protestos pelos direitos civis dos afro-americanos nos Estados Unidos, o Kwanzaa cultiva valores ancestrais das tradições africanas. Desse modo, a festa foi organizada pelo professor de estudos africanos da Universidade de Califórnia Maulana Karenga em cinco atividades essenciais, que se assemelham às comemorações africanas da vinda das primeiras frutas.

São elas:

– Reunião entre família, amigos e comunidade;
– Saudação ao criador e à criação, dando destaque à ação de graças e reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e “curar” o mundo;
– Celebração do passado, honrando os ancestrais pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história;
– Renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade, como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito aos mais velhos;
– Celebração do “bem da vida”, um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura.

Em solo estadunidense, o Kwanzaa foi celebrado pela primeira vez entre 26 de dezembro de 1966 e 1º de janeiro de 1967, um ano antes do assassinato de Martin Luther King (1929-1968). No Brasil, a festa chega timidamente. Nas cidades de Salvador e São Paulo, já ocorrem celebrações.

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