Miles Morales no jogo Spider Man: Miles Morales

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Morales finalmente ganha protagonismo em jogo do Homem-Aranha

Lançado em 12 de novembro deste ano, o jogo Spider-Man: Miles Morales é um sucesso nas resenhas dos sites especializados em vídeo game. A narrativa do sucessor de Homem-Aranha, jogo desenvolvido para o Playstation 4 em 2018, é focada em Miles Morales, um jovem negro que irá aprender sobre poder e responsabilidade.

Diferente da história em quadrinho, na qual Miles é picado por uma aranha geneticamente modificada quando vai visitar o tio Aaron Davis, no jogo, o adolescente adquire poderes em uma visita à Oscorp.

Com a morte do pai, Morales decide atuar como super-herói e pede ao novo amigo Peter Parker que seja seu mentor. Depois de muita insistência, Parker finalmente aceita e os dois, então, passam a combater o crime em Nova Iorque. No entanto, o jovem Aranha se concentra na região onde nasceu e cresceu, o East Harlem. 

Miles e Peter Parker em Spider Man: Miles Morales
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Certo dia, o Amigo da Vizinhança oficial decide viajar com Mary Jane para cobrir as  Negociações de Paz em Symkária para o Clarim Diário, jornal no qual os dois trabalham, deixando Miles com a responsabilidade de ser o único Homem-Aranha da cidade.

Dessa vez, Miles não teve que esperar a morte de ninguém para conquistar o próprio espaço e é bacana ver como o jogo foi pensado para ser sobre ele. Se o Homem-Aranha de Peter Parker já parecia ser alguém saído de qualquer comunidade do Brasil, com todas as dificuldades que vivia, Miles Morales apresenta uma ótica ainda mais próxima da realidade. 

Mesmo que o contexto dele seja de um jovem preto estadunidense, é impossível não se identificar com o rapaz. Talvez eu seja suspeita para falar, afinal, desde que comecei a me interessar por super-heróis, devido à influência de meu irmão caçula, o Homem-Aranha se tornou o meu personagem favorito.

Foi fácil encontrar semelhanças entre a minha personalidade e a de Peter Parker. Éramos dois nerds, criados em uma estrutura familiar incomum e moradores da periferia. Apenas duas coisas nos separavam: o gênero e a cor da pele.  

Naquela época, ainda não tinha ideia de quem era Miles Morales. Os únicos super-heróis negros que conhecia eram a Tempestade e o Super Choque. Gostava muito da Tempestade, mas não conseguia me identificar com ela enquanto crescia e Ororo Munroe era uma potência enquanto eu ainda tentava entender quem eu era.

Tempestade em quadrinho dos X-Men
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Descobri com o tempo que o Homem-Aranha também foi o herói favorito de muita gente negra por aí, como o Anderson Silva, que lutava MMA sob a alcunha de Spider e revelou em entrevista ao Esporte Espetacular que gostava do Amigo da Vizinhança.É difícil não se conectar com um personagem que poderia ser o seu vizinho, um amigo ou você mesmo.

No entanto, Peter não sabia o que é ser uma pessoa negra. Por mais que enfrentasse muitas dificuldades tentando conciliar a vida de herói com os deveres de “pessoas normais”, ele ainda tinha o privilégio de ser branco.

Então, em 2011, Michael Bendis, parecendo ter ouvido as nossas preces ou algum sopro divino, criou Miles Morales dentro de um universo feito para reinvenções e possibilidades: a Terra 1610. O garoto apareceu na saga “A morte do Homem-Aranha”, dando continuidade ao legado do Teioso após a morte de Peter Parker. 

Miles Morales segurando o uniforme do Homem Aranha em frente a um poster de Peter Parker
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De lá para cá, o jovem Aracnídeo vem ganhando notoriedade tão rapidamente quanto o antecessor. Pouco menos de dez anos da criação de Miles Morales, vi crianças, adolescentes e adultos que nem tinham ideia de quem era ele irem assistir no cinema “Homem-Aranha no Aranhaverso” em 2018. 

Um ano antes, a Marvel insistia no lançamento de mais um reboot de Homem-Aranha. Dessa vez, fomos apresentados a uma narrativa focada em outro super-herói famoso do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM), colocando o poder e a responsabilidade para escanteio.

A Marvel ainda não demonstrou interesse em algum projeto sobre Miles, apesar de ter anunciado adaptações para jovens heroínas não-brancas para 2021. Por hora, resta a nós – reles mortais que não têm um console de Playstation 4 ou 5 – sonhar com um live-action de Morales enquanto vemos as gameplays de seu jogo na Internet.

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