23 de Setembro, 2020

Quilombo Literário: o clube de leitura cearense focado em escritores negros

Um gaúcho e um paulista são os responsáveis pelo Quilombo Literário, um clube de leitura sediado no Ceará e focado na leitura e divulgação de autores negros. Apesar de nenhum dos convidados ter participado do primeiro encontro oficial, em agosto de 2015, os organizadores persistiram e, finalmente, deram início às atividades do grupo em junho de 2018, com a leitura do livro “Na minha Pele”, do Lázaro Ramos.

O coordenador do grupo é Paulo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), e no Ceará desde setembro de 2013. Paulo Garcia, paulista de Barretos (SP), está no Ceará desde 2015 e é o vice-coordenador. O Quilombo Literário surgiu a partir de conversas pelo Facebook entre os dois fundadores. Rodrigues trazia a experiência de grupos de leitura e sabia da importância de iniciativas assim para a população negra.

“Algo muito importante no grupo é que muitos participantes conseguem, partindo do tema discutido pelo autor ou autora, chegar a memórias de infância ou a algum fato acontecido em algum momento da vida. É muito importante este paralelo entre a obra analisada e a vida real dos participantes. E isto é momento! Conforme cada um dos participantes vai comentando como sentiu a obra, esta análise também vai conduzindo a paralelos entre a vida e a obra! Talvez isso explique por que não há encontros virtuais”, destaca Rodrigues.

A intenção dos organizadores é realizar, pelo menos, um encontro por semestre. Já foram trabalhados os livros Olhos d’água, de Conceição Evaristo; Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou; Não Vou Mais Lavar os Pratos, de Cristiane Sobral; e Um Defeito de Cor, da autora Ana Maria Gonçalves. Esse último ainda não teve um encontro por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Para Rodrigues, há muitas barreiras para a temática negra, com editoras afirmando que esse tipo de história não vende. Então, a valorização do autor negro deve ser feita por ele mesmo, produzindo e editando seus textos por conta e risco.

“Foi assim com a Coleção Cadernos Negros, que o poeta Cuti fez junto com amigos. Cadernos Negros existe há mais de 40 anos e neste período já revelou muitos autores negros. Porém, como outros tantos autores negros, não chegam a ficar famosos. Mas os autores negros têm uma força incrível! Quase todos fazem marketing de guerra, isto é, escrevem, editam seus livros, vendem, carregam os livros pra baixo e pra cima, e escrevem outros. Vamos olhar um pouco para alguns dos grandes escritores negros que nosso país produziu; quase todos só depois da morte receberam algum reconhecimento: Lima Barreto, Cruz e Souza, Carolina Maria de Jesus!”, finaliza o coordenador do Quilombo Literário.

Como participar
As pessoas são convidadas por e-mail. É um convite pessoal e intransferível. Pessoas que participam do grupo podem indicar outras pessoas para a coordenação que, então, enviará um e-mail.

Para mais informações: http://quilomboliterario.blogspot.com

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