O Grande Bom Jardim, periferia de Fortaleza, festeja nos dias 15 e 16 de maio a terceira edição do Festival de Artes Ancestrais – Azágua da Mazé. A programação é gratuita e para todos os públicos, reunindo música, performances, oficinas e atividades infantis.
Realizado na Associação Espírita de Umbanda São Miguel, o festival contará ainda com apresentações do Carimbó Cabocla Du Norte, Mais Melanina, Grupo Cultural Toque de Senzala e Mateus Fazeno Rock.
O lançamento do fotolivro Pequenas dores são como raios em minha coroa, da escritora e fotógrafa Flávia Almeida, está entre os destaques da programação. Acontece na sexta-feira (15), às 18h. A atividade contará com roda de conversa e leitura performática, integrando a proposta do festival de aproximar arte e memória coletiva.
Primeira publicação escrita de Flávia Almeida, o fotolivro reúne poesias atravessadas por experiências de trauma, assédio na infância e processos de cura, em diálogo com o desenvolvimento espiritual na umbanda. As escritas se entrelaçam à série fotográfica Espelhos d’água, investigação visual sobre mulheridades de terreiro e relações com as yabás.
“Escolho a poesia como uma forma de transformar essas dores em algo mais forte, capaz de me atravessar e também tocar outras”, afirma Flávia Almeida.
A multiartista, arte-educadora e pesquisadora das encruzilhadas Pedra Silva, responsável pela curadoria e posfácio da obra, define o trabalho como um “desmantelo de uma lógica agressiva e imponente”.
A publicação reúne ainda colaborações de diferentes artistas que atravessam o processo criativo da obra. As guardas de capa e contra-capa contam com ilustrações de Sérgio Gurgel. A diagramação é assinada por M. Dias Preto, com textos de orelha escritos por Ma Njanu e Aline Furtado.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
Na sexta-feira (15), a programação começa às 16h com oficina de tambor de crioula. Às 18h, acontece o lançamento do fotolivro Pequenas dores são como raios em minha coroa, de Flávia Almeida, seguido da Consagração Boi da Mazé. A noite segue com apresentações de Brincantes Sonoros, Carimbó Cabocla Du Norte, Petra Black e Banda Pé de Mato.
No sábado (16), as atividades iniciam às 16h com programação infantil comandada pelo Palhaço Meia Grama e o espetáculo Fuxica e Tetel – Saudando o riso alheio. A partir das 18h, o festival recebe apresentações do movimento Tocada Boa, grupo Mais Melanina, Grupo Cultural Toque de Senzala e Mateus Fazendo Rock.
Toda a programação contará com intérpretes de Libras.
Saiba mais sobre o Bom Jardim e seu território encantado
Reconhecido como uma das regiões com maior concentração de terreiros no Ceará – formada pelos bairros Bom Jardim, Granja Lisboa, Granja Portugal, Canindezinho e Siqueira –, o Grande Bom Jardim se consolida como importante polo de preservação da cultura afro-brasileira no estado. Nesse contexto, o festival se firma como espaço de valorização identitária e fortalecimento comunitário.
O nome “Azágua da Mazé” reverencia os povos de terreiro – catimbozeiros e praticantes das religiões afro-brasileiras – responsáveis por sustentar historicamente a produção cultural do território. A homenagem faz referência à memória de Maria José, figura central na espiritualidade da casa.
Serviço
III Festival de Artes Ancestrais – Azágua da Mazé
Quando: 15 e 16 de maio de 2026, a partir das 16h
Onde: Associação Espírita de Umbanda São Miguel -(rua Medelim, nº 2.914, no Grande Bom Jardim)
Entrada gratuita
Classificação livre
Acessibilidade: intérpretes de Libras em toda a programação
Lançamento do fotolivro Pequenas dores são como raios em minha coroa
Data: 15 de maio, às 18h
Programação: roda de conversa e leitura performática
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