A 4ª Bienal Black está com inscrições abertas até o dia 30 de abril para seleção de trabalhos para mostra coletiva a ser realizada no Recife (PE), de outubro a dezembro de 2026. Podem participar, com inscrições em até duas categorias, artistas nacionais e internacionais, maiores de 18 anos, independentemente de cor, raça ou gênero, cujos trabalhos apresentem recorte voltado à decolonialidade na arte.
A edição de 2026 terá como eixo curatorial o tema “As Cinco Peles”, conceito que orienta a reflexão sobre corpo, território e coletividade. A ideia dialoga com a teoria do artista austríaco Friedensreich Hundertwasser, que propôs a existência de diferentes camadas que estruturam a relação entre o indivíduo e o mundo.
De acordo com a pesquisadora Clarice Duarte Rangel, “as cinco peles de Hundertwasser representam campos simbólicos: a primeira seria a epiderme; a segunda, o vestuário; a terceira, a casa ou moradia; a quarta, o meio social e a cultura; e, por fim, a quinta é a pele planetária”. A proposta da Bienal parte dessa leitura para pensar como diferentes camadas conectam indivíduos, cultura e ambiente.
Nesse percurso, a pele da Textura é apresentada como a fronteira entre corpo e mundo, marcada também
pelas violências e hierarquias raciais inscritas pelo colonialismo. A pele do Corpo desloca o vestir do campo
da moda para o da expressão identitária e das tecnologias ancestrais. A pele do Espaço aborda o ato de habitar como gesto político.
Já a pele da Rede propõe compreender a identidade como processo relacional, formado por vínculos de afeto, solidariedade e memória coletiva. Por fim, a pele da Comunidade amplia a discussão ao pensar o planeta como um corpo vivo e interdependente.
Ao revisitar a teoria das Cinco Peles por uma perspectiva decolonial, a Bienal Black propõe uma curadoria que aproxima corpo, território e mundo como camadas inseparáveis de memória, existência e invenção coletiva.

Premiações em dinheiro para artistas nacionais
Serão concedidos cinco prêmios para as obras selecionadas pela comissão julgadora. Serão três prêmios de R$ 4 mil cada, um prêmio de R$ 2 mil e um prêmio de R$ 1 mil, além de mentoria artística a um artista individual que nunca tenha participado de uma exposição coletiva. Todos os selecionados receberão certificação.
Programação paralela
Durante o período de exposição, acontecerá ainda uma programação paralela da Bienal Black, iniciativa que visa integrar um banco de ações a ser desenvolvido ao longo do período da Bienal, podendo ser realizada de forma presencial ou virtual, de acordo com o planejamento curatorial e viabilidade institucional. As atividades — como oficinas, palestras, rodas de conversa, ações educativas e comunitárias — serão oferecidas gratuitamente ao público.
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Luan Pazzini, com informações da Bienal Black.

O Ceará Criolo é um coletivo de comunicação de promoção da igualdade racial. Um espaço que garante à população negra afirmação positiva, visibilidade, debate inclusivo e identitário.
