As 5 raças/cores do Brasil nem sempre estão no imaginário popular. Embora o país tenha um sistema de classificação há mais de 150 anos, muita gente não sabe que hoje nossa legislação reconhece apenas: brancos, pretos, pardos, indígenas e amarelos. Por lei e para fins de elaboração de políticas públicas, pretos e pardos formam a população negra, hoje 55,6% do total.
Essas e diversas outras informações sobre identidade racial estão na cartilha E eu, sou o quê? Um pequeno guia sobre (a sua) raça, elaborada pelo antropólogo, pesquisador e criador do Ceará Criolo, jornalista Bruno de Castro – e que ao fim desta postagem você pode baixar gratuitamente.
Em julho deste ano, a cartilha foi eleita pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ) o segundo melhor projeto de comunicação interna do Brasil em um órgão do sistema de justiça. Em 2025, recebeu o Selo Esperança Garcia de Antirracismo, concedido pelo Conselho Nacional de Ouvidorias das Defensorias Públicas (CNDOP), e foi eleita uma das dez melhores práticas antirracistas do Brasil pela Frente Afro-indígena da Associação Nacional de Defensoras e Defensores (Anadep).
Ou seja: é um material que você pode utilizar para promover letramento racial. O texto foi escrito em linguagem simples justamente para facilitar a compreensão do leitor e favorecer momentos de formação sobre as 5 raças/cores do Brasil. A partir de exemplos reais, do nosso dia a dia, é possível aprender sobre questões raciais e não correr mais o risco de cometer um ato de racismo contra alguém ou mesmo de não saber classificar a si próprio do ponto de vista racial.
“A gente não discute raça em casa. Quando vai pra escola, recebe informações desencontradas ou mesmo falsas sobre a formação do nosso país. Então, a dúvida de muita gente é genuína. Quando você olha para as instituições, essas dúvidas ainda estão lá. Por isso, a cartilha pode ser fundamental nesses processos de autodescobrimento”, avalia Bruno.
O conteúdo apresenta ao leitor as principais características de cada uma das 5 raças/cores do Brasil, alerta para termos que não devem mais ser falados (como “moreno” e “índio”) e revela diferenças nas classificações em outros países. Afinal, ser negro aqui não é a mesma coisa de ser negro nos Estados Unidos ou na África do Sul!

Com ilustrações, gráficos, fotografias e indicadores sociais, a cartilha informa sobre um país que precisa se conhecer melhor para combater o racismo com mais eficiência. “E a gente só pratica o antirracismo com informação de qualidade. O remédio para o racismo é informação. É letramento racial. Não há outra ferramenta mais eficaz para unir à vivência do que o acesso à informação! Porque não basta falar que as 5 raças/cores do Brasil fazem do nosso país diverso. Não é sobre isso. É sobre diferenças que precisam ser notadas para que a gente consiga tratar os diferentes de maneira desigual na medida dessas desigualdades e, assim, acabar com essas desigualdades”, acrescenta Bruno.
Materiais como a cartilha são importantes porque nosso o sistema de classificação racial é feito a partir da autodeclaração de cada pessoa dentro das 5 raças/cores do Brasil. Contudo, quando se tenta entrar na universidade ou em concurso público acionando cotas raciais, há a análise dessa autodeclaração por uma banca em um processo chamado heteroidentificação. Além disso, quando alguém se declara pertencente a uma cor/raça que não é a sua, gera distorções nos indicadores sociais que serão utilizados para a elaboração de políticas públicas e virarão projetos tocados pelas prefeituras e governos.
Por isso, é fundamental que toda pessoa saiba identificar corretamente a qual raça/cor pertence e tenha condições de identificar fraudes para denunciar tentativas de candidatos que desejam burlar concursos.
“A gente não está falando de uma simples resposta a um questionário. Classificação racial é um tema que ajuda a construir o país e precisa ser levado mais a sério. Nem todo negro é preto, nem toda pessoa de pele clara é parda e nem toda pessoa de cabelo cacheado é negra. Tudo é contexto e bom senso considerando todas as características físicas. Falar em avô preto ou mãe preta ou mesmo alegar que o “pardo” da certidão de nascimento é o Estado reconhecendo raça são situações que não se sustentam. A cartilha também vem no sentido de ajudar a quebrar esses tabus”, pontua Bruno.

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O Ceará Criolo é um coletivo de comunicação de promoção da igualdade racial. Um espaço que garante à população negra afirmação positiva, visibilidade, debate inclusivo e identitário.
