É do Ceará o primeiro centro de formação antirracista do Brasil! Fruto de parceria entre o Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), o Ministério da Educação (MEC) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA), o projeto foi lançado na tarde desta segunda-feira (25/5). A sessão solene aconteceu em Juazeiro do Norte.
Serão oferecidas formações em seis eixos diferentes, todos voltados para a promoção da equidade racial. O objetivo é que, devidamente capacitados, os(as) professores(as) levem a temática racial para dentro das escolas nas quais trabalham. Assim, terão condições de oferecer uma educação mais honesta em relação ao povo negro e verdadeiramente inclusiva.
A coordenadora geral do projeto e membro do Grunec, professora Ana Paula Santos, afirmou que o centro de formação é fruto de uma construção coletiva que já dura 30 anos. “É a implementação efetiva da Lei 10.639. Porque nós enxergamos a educação como um direito público e entendemos que equidade racial é algo que se constrói coletivamente”.
Fundadoras do Grunec, as professoras e irmãs Verônica e Valéria Carvalho defenderam uma maior presença negra no ensino superior e currículos mais realistas no que diz respeito à raça. O tema, mesmo em cursos repletos de teoria, ainda não recebe a devida importância na formação dos(as) estudantes.
“Aqui é o lugar do nosso povo. Nós sabemos o que queremos e vamos atrás. Não aceitamos mais migalhas. Professores, não tenham medo de tocar nas mãos dos jovens”, disse Valéria Carvalho. “Nós construímos essa sociedade. Então, hoje é um dia importantíssimo pra gente. Quem nos inspira a estarmos aqui são as comunidades quilombolas”, acrescentou Verônica Carvalho.
Para a pró-reitora de extensão da UFCA, professora Fabiana Lazarin, a aulas farão da universidade federal um espaço ainda mais popular, com a cara do povo negro caririrense. “Se apropriem deste espaço! Ele estará de portas abertas para que possamos ter mais e mais projetos desta magnitude, que articulam saberes acadêmicos e tradicionais. O centro é uma extensão do que vocês são”.
Representando o MEC, Thaís Dias Luz Borges Santos afirmou que a equidade racial não pode ser encarada como um tema acessório, porque é uma ferramenta efetiva de participação democrática e precisa avançar. Por isso, ela defendeu a criação de outros centros de formação antirracista. “Nós temos um compromisso político e institucional com a pauta da equidade e inclusão. E entendemos que temos que fazer tudo alinhados com os movimentos sociais, as universidades e as secretarias de educação. Porque nosso trabalho só se sustenta se a gente estiver em constante conexão com os territórios. Além disso, educação pras relações étnico-raciais não é algo só pro povo preto e indígena. É pra todas as pessoas, especialmente pra gente cuidar da desigualdade de representatividade e poder. Essa é uma discussão de todos nós”, disse.
Já a presidenta do Grunec, professora Janayna Leite, classificou o momento como “muito mais do que o início de uma formação, pois representa o início de uma caminhada construída a várias mãos”. Ela destacou: “com este centro de formação, o Grunec reafirma o compromisso histórico com a educação antirracista e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Que esse espaço seja um território de escuta, troca, pertencimento e fortalecimento coletivo. Que possamos aprender uns com os outros. Que possamos reconhecer nossas ancestralidades. Que seja uma caminhada guiada pela esperança, pela coragem e pela certeza de que educar é memória e futuro”.
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Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.
