A Repence, Rede de Pesquisadores Negres do Ceará, já tem data para ser lançada. Será neste sábado (13/6), durante o seminário “De favelas, quilombos, terreiros e coragem: 300 anos da Fortaleza Negra”. O evento acontecerá das 9 horas ao meio-dia, no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. A entrada é gratuita.
A programação será marcada por homenagens póstumas a cinco pessoas negras importantes para o universo acadêmico-científico: Lúcia Simão, Joselina da Silva, Anna Erika Lima, Hilário Ferreira e Kaci Gadelha. Elas e eles serão representadas(os) por amigos(as) e familiares no ato que antecede a formalização da Repence, em reconhecimento à relevância dos trabalhos desenvolvidos durante décadas para hoje a rede tornar-se realidade.
“Pensar em uma rede de pesquisadores e pesquisadoras com o recorte racial de negritude no Ceará é honrar os nossos ancestrais. É restaurar um grande espaço que ficou ocupado por outras pessoas que não somos nós. É estabelecer justiça e equidade. Sempre que o povo negro está junto, os avanços são pra todo mundo”, reflete uma das mobilizadoras da Repence, a historiadora Cícera Barbosa.
Também haverá apresentações artísticas e uma grande mesa de debate sobre temas como identidade negra no Ceará, mulheres negras, religiões de matriz afro-brasileira, população LGBTQIA+ e educação. “No Ceará, nós temos uma construção histórica do olhar sobre o negro a partir de pesquisadores brancos que produziram um espaço, um tempo e corpos sem cor. Com a Repence, nosso desejo é ampliar as agendas coletivas de pesquisa e aglutinar todas as pessoas negras que tenham interesse em participar da vida acadêmica e política sem distinguir uma da outra”, pontua o antropólogo Paulo Ferreira.
A coordenadora geral do Movimento Negro Unificado no Ceará, Lipe Silva, classifica a Rede como uma “estratégia de fortalecimento da negritude, porque o que nós vivemos é uma disputa institucional”. Ela diz: “nós queremos firmar um campo articulado politicamente no Ceará para disputar esse lugar da formação na universidade, que historicamente foi ocupada por pessoas brancas e de elite”.
Já a geógrafa Dandara Albuquerque, também uma das fundadoras da Repence, adianta o primeiro passo da rede: criar o Congresso de Pesquisadores Negres do Ceará (Copence). “Pretendo propor que seja em março do ano que vem, pela importância que esse mês tem para nós”, revela.
Confira a programação completa do seminário.
9h-9h30 – Merenda
Ativações artísticas: Sy Gomes
9h30 – Homenagens
10h – Lançamento da Repence
10h30 – Mesa de debate
Alex Ratts (A Negritude da Terra da Luz e outros ensaios)
Francisca Maria Sena (As Mulheres Negras de Fortaleza em Movimento)
Pai Neto Tranca Rua (A Negrada da Umbanda de Fortaleza)
Dary Bezerra (A Negrada do Movimento LGBTQIA+ de Fortaleza)
Sandra Haydee Petit (A pretagogia nas Escolas Municipais de Fortaleza)
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O Ceará Criolo é um coletivo de comunicação de promoção da igualdade racial. Um espaço que garante à população negra afirmação positiva, visibilidade, debate inclusivo e identitário.
