Fortaleza passa a ter a partir deste sábado (18/7) a Rota Hilário Ferreira, um percurso pelo centro da cidade no qual a história é contada de uma forma diferente. Em vez da narrativa tradicional, que atribui feitos e grandes marcos à população/elite branca, os fatos são contados para mostrar o quão negra é a capital cearense.
A iniciativa é do coletivo Fortaleza Negra, que nomeou o projeto para homenagear o historiador que coordenava o grupo e morreu em maio deste ano. O caminho é todo feito a pé e conduzido por pesquisadores. Terá cerca de 2,2 quilômetros.
A concentração acontecerá às 14h30min, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A ideia é ir até o Passeio Público, à Caixa Cultural, ao Poço da Draga e finalizar na Casa Educareggae, onde haverá programação cultural.
Em postagem no Instagram, o coletivo Fortaleza Negra explica: “a rota será baseada nas pesquisas do Prof. Hilário Ferreira e será guiada pelos pesquisadores Wanessa Brandão, Gizele Ferreira, Rubéns Lopes e Douglas Souza, membros e coordenadores do coletivo Fortaleza Negra, percorrendo lugares que ajudam a contar a história da população negra na cidade”.
Tudo será gratuito.

SOBRE HILÁRIO
José Hilário Ferreira Sobrinho morreu em 9 de maio de 2026, aos 61 anos. Foi uma das principais lideranças negras do Ceará, tendo integrado diversos coletivos políticos e culturais.
Ainda estudante universitário, em 1992, criou o jornal Malemba, um informativo do Grupo de Consciência Negra (Grucon), ao lado de figuras como Joelma Gentil e Alex Ratts.
Para o Ceará Criolo, escreveu a coluna Negra Voz entre 2020 e 2021. Nela, contestou o mito de o Ceará não ter negros, rebateu a versão de os cearenses serem descendentes de vikings e pautou a origem da negritude local a partir de documentos que comprovavam uma ancestralidade africana dos territórios hoje chamados de Congo e Angola.
Atuava como professor e estava na iminência de concluir o doutorado em História pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Desde janeiro de 2024, fazia parte do coletivo Fortaleza Negra, pelo qual desenvolvia rotas pelo centro de Fortaleza para mostrar o quão negra a cidade é (e sempre foi).
PARA MAIS NOTÍCIAS SOBRE O CEARÁ, CLIQUE AQUI.

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.

