Lançada oficialmente neste sábado (13/6), a Rede de Pesquisadores Negres do Ceará já despertou o interesse de 456 pessoas. Esse é o quantitativo de estudantes, professores(as) e cientistas independentes de diversas áreas do conhecimento que já procuraram os criadores da Repence desde 2023, quando tiveram início as articulações para a formalização do espaço.
Parte desse público lotou o auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura para prestigiar o lançamento, marcado por homenagens a nomes de intelectuais negras e negros que contribuíram para a existência da entidade – mas morreram antes de ela existir, como Lúcia Simão, Anna Erika Lima, Hilário Ferreira, Kaci Gadelha e Joselina da Silva.
“Uma rede com mais de 400 pesquisadores negros no Ceará é uma revolução! Digo isso porque a luta de uma pessoa negra na universidade é muito grande. Nós constantemente somos chamados de militantes”, pontuou o antropólogo Alex Ratts.
A importância da iniciativa também foi destacada pela secretária estadual da Igualdade Racial, Zelma Madeira. Ela é professora do curso de Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Eu precisava olhar no rosto de cada um e dizer que somos poucos, mas nossa estratégia é interessante. A gente só anda de “ruma” pra construir e edificar”, disse.
Ponto alto do seminário De favelas, quilombos, terreiros e coragem: 300 anos da Fortaleza Negra, o lançamento da Rede de Pesquisadores Negres do Ceará sinaliza para anos futuros de muita disputa no ambiente acadêmico, ainda hoje de maioria branca, sobretudo nos níveis de pós-graduação. “A Repence cria um espaço de compartilhamento de experiências e divulgação das nossas produções. Constrói um lugar onde a gente consegue se enxergar e ver que não estamos sozinhos”, sintetiza a coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado no Ceará (MNU/CE), Lipe da Silva.
A partir de agora, a Rede de Pesquisadores Negres do Ceará vai dedicar-se a montar o Congresso de Pesquisadores Negres do Ceará (Copence). A expectativa é de que o evento ocorra em março de 2027 (dentro de nove meses, portanto), em alusão à Data Magna do estado, celebrada no dia 25 para demarcar quando negros e negras escravizados(as) conquistaram a liberdade da escravização em 1884, quatro anos antes do resto do Brasil.
Quem quiser fazer parte da Repence, basta procurar os integrantes da Rede no Instagram @pesquisadoresnegresce.

PARA MAIS NOTÍCIAS DO CEARÁ, CLIQUE AQUI.

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.
