Prevista para inicialmente acontecer em 26 de março, a inauguração da Casa da Igualdade Racial de Fortaleza vai ocorrer agora em 23 de abril. A informação foi divulgada no início da noite desta sexta-feira (17/4) pelo Ministério da Igualdade Racial.
Este será o primeiro órgão do tipo no Nordeste. Outro está previsto para o Pelourinho de Salvador (BA), mas ainda não há data para entrega. Na capital cearense, ele é fruto de parceria entre a Prefeitura, o Governo do Ceará e a União.
O espaço funcionará no Centro da cidade. O expediente será de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17 horas. Não haverá funcionamento aos fins de semana.
A princípio, a equipe da Casa será composta por oito pessoas: uma assistência social, uma psicóloga, uma advogada, uma profissional de comunicação, um agente territorial, um menor aprendiz, um apoio técnico e um profissional de serviços gerais.
Como coordenadora, terá Cícera Barbosa (foto em destaque). Ela é historiadora e professora concursada do Estado, de onde será cedida para assumir a função. O processo de cessão está em trâmite. O Ceará Criolo apurou que a educadora foi escolhida pelo papel de liderança que já exerce no movimento negro, além da contribuição que tem dado como intelectual e gestora de políticas públicas de igualdade racial.
De acordo com o coordenador de Igualdade Racial da Prefeitura de Fortaleza, Isaac Santos, a Casa da Igualdade Racial será vinculada administrativamente à gestão municipal. Será da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) a responsabilidade pela gestão e manutenção do equipamento.
Ele explica:
“a Casa da Igualdade Racial de Fortaleza é um equipamento público voltado à promoção da equidade racial, ao enfrentamento do racismo e à garantia de direitos da população negra e dos povos tradicionais. Mais do que um espaço institucional, constitui-se como um centro de referência que integra políticas públicas, formação cidadã, produção cultural e atendimento especializado. Embora tenha como uma de suas atribuições o cuidado e o acompanhamento de vítimas de racismo na cidade, o objetivo central da Casa vai além da resposta à violência. Seu propósito maior é fortalecer e empoderar a população negra e os povos tradicionais, promovendo autonomia, consciência histórica, pertencimento e protagonismo social.”
O coordenador adianta ainda que o espaço abriga uma biblioteca comunitária que terá somente livros escritos por autores negros e autoras negras. “É um espaço para leitura, formação e valorização da literatura negra e afro-brasileira. A biblioteca vai funcionar como instrumento de letramento racial, memória e construção de identidade, promovendo rodas de leitura, debates, formações para educadores, encontros culturais e acesso a obras de autores e autoras negras”, revela Isaac Santos.

AS SEIS PRIMEIRAS CASAS DO BRASIL
A Casa da Igualdade Racial de Fortaleza será a segunda do Brasil a ser inaugurada. A primeira foi entregue em 20/3 pela ministra Anielle Franco no Rio de Janeiro. Outras quatro ainda serão abertas em: Pelotas (RS), Salvador (BA), Itabira (MG) e Contagem (MG).
Por ora, portanto, as casas existirão em apenas três regiões do Brasil: Sudeste (3), Nordeste (2) e Sul (1). Para o Norte e para o Centro-Oeste, ainda não foram anunciadas unidades. Segundo o Ministério da Igualdade Racial, elas vão atuar em cinco eixos. São eles:
EIXO 1: JUSTIÇA RACIAL
Apoio psicológico, social e jurídico especializado para vítimas de crimes raciais e discriminação.
EIXO 2: INCLUSÃO PRODUTIVA
Incentivo a iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional.
EIXO 3: CULTURA E EDUCAÇÃO
Promoção de ações educativas e culturais.
EIXO 4: FORTALECIMENTO COMUNITÁRIO
Espaço de convívio para fortalecer os vínculos sociais e a identidade das comunidades atendidas.
EIXO 5: ARTICULAÇÃO E PACTUAÇÃO
Atuação como um canal de comunicação e parceria com governos e outras instituições.
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SERVIÇO
INAUGURAÇÃO DA CASA DA IGUALDADE RACIAL DE FORTALEZA
QUANDO: 23 de abril, às 14 horas.
ONDE: rua Jaime Benévolo, nº 21, no Centro (segundo andar).
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Comunicólogo e mestre em Antropologia, é especialista em Jornalismo Político e Escrita Literária e tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de diversos órgãos públicos. Venceu o Prêmio Gandhi de Comunicação, o Prêmio MPCE de Jornalismo e o Prêmio Maria Neusa de Jornalismo, todos com reportagens sobre a população negra. No Ceará Criolo, é repórter e editor-geral de conteúdo. Escritor, é autor de oito livros e foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura 2020.
