O bailarino carioca Davi Ramos, de 25 anos, alcançou um feito inédito ao ser promovido a primeiro bailarino do Australian Ballet, uma das companhias de dança mais prestigiadas do mundo.
Nascido e criado nas comunidades do Vidigal e do Santa Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ele se tornou o primeiro brasileiro e o primeiro homem negro a ocupar o posto máximo da companhia.
A relação com a dança começou de maneira inesperada. Ainda criança, Davi acompanhava a mãe em aulas de capoeira e, apesar do maior interesse por esportes como futebol e vôlei, decidiu experimentar o balé por curiosidade. Bastou uma semana de aulas para descobrir a vocação artística que mudaria sua trajetória.
A promoção aconteceu após a terceira apresentação de Romeu & Julieta, do coreógrafo sul-africano John Cranko. Nas redes sociais, o bailarino relatou o momento em que foi surpreendido no palco pelo diretor artístico da companhia, David Hallberg.
“Após minha terceira apresentação de Romeu & Julieta, de John Cranko, David subiu ao palco e me promoveu a primeiro bailarino do The Australian Ballet… ainda não consigo acreditar. Há dez anos eu sonho com isso. Sempre soube o que queria, e na noite passada esse sonho se tornou realidade”, escreveu Davi Ramos.
Ele também destacou o significado histórico da conquista. “Ser o primeiro artista brasileiro e o primeiro homem negro a alcançar esse nível na companhia significa mais do que consigo colocar em palavras. Isso é para minha família, meus amigos e cada pessoa que acreditou em mim”, afirmou.
Em outro vídeo publicado nas redes sociais, Davi Ramos ressaltou o orgulho de suas origens e relembrou os desafios enfrentados ao longo da carreira. “Tenho muito orgulho de ser brasileiro, da minha história e de onde venho — do Santa Marta, do Vidigal. Isso é algo que não acontece todos os dias. Muitas pessoas não entendiam muito bem. Sofri bastante preconceito no Brasil; na escola, eu era o único negro. Mas isso nunca me afetou. Meu maior sonho era me tornar primeiro bailarino”, disse.
A conquista de Davi Ramos representa um marco para a dança brasileira e amplia a presença de artistas negros em espaços historicamente marcados pela exclusão e pela baixa diversidade.
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