Com mais de 150 ações, o festival Afrocearensidades chega à quarta edição este ano com o tema “Erguer sonhos e ancestralizar futuros”. Durante todo Novembro Negro, a programação propõe uma reflexão sobre a construção de novas perspectivas para a população negra cearense.
Serão realizadas atividades diferentes territórios do Ceará, com foco na valorização da ancestralidade, no combate ao racismo e na promoção da justiça racial: shows, discotecagens, palestras, lançamento de livros, rodas de conversa, oficinas e cursos, apresentações de dança e teatro, exibição de curtas, exposições e muito mais. Também estão previstas atividades de gastronomia, feiras de empreendedorismo negro, atividades educativas para crianças e oferta de serviços públicos, ampliando as oportunidades de participação e valorização das comunidades negras cearenses.

“Estamos propondo uma reflexão coletiva de que o sonho deixa de ser um campo mais abstrato, para se tornar tecnologia política, de planejamento, voltada para a emancipação e liberdade coletiva do povo negro”, afirma a secretária da Igualdade Racial do Ceará, Zelma Madeira. Para a gestora, o festival também representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da presença negra na história do estado e valorizar a diversidade de seus saberes e fazeres.
PARA ACESSAR A PROGRAMAÇÃO COMPLETA, CLIQUE AQUI.
A narrativa conceitual desta edição se expressa na própria identidade visual do festival, assinada pelo artista M. Dias Preto, que sintetiza o encontro entre território, resistência e proteção. Elementos como o fuxico demarcam a territorialidade e a sabedoria do artesanato cearense; o carcará simboliza a resiliência e a capacidade de sobrevivência no sertão; e a figura central da mulher-arraia atua como entidade de passagem, irradiando a energia dos saberes ancestrais para as próximas gerações. Além disso, símbolos como a Seta Sankofa reforçam a premissa de aprender com o passado para edificar o amanhã.
“Pensar o futuro e o sonho faz parte da minha trajetória como artista. Como um gay negro vindo da periferia de Fortaleza, muitas vezes, foi o sonho que me permitiu acreditar no futuro. Na identidade visual do festival, busquei unir a cultura cearense às minhas ancestralidades afro e indígena. O mar, presente nas cores e texturas, e as figuras híbridas entre o humano e o animal expressam essa conexão, enquanto a combinação de ilustração digital, fotografia e colagem reflete a diversidade das nossas produções artísticas. Por meio da arte, reafirmamos nossa presença no Ceará e reivindicamos o direito de construir futuros a partir da nossa própria história e herança ancestral”, afirma M. Dias Preto.
Cultura, formação e participação social
Entre os eixos temáticos do festival estão o fortalecimento institucional das políticas de igualdade racial; a produção cultural protagonizada por pessoas e grupos negros; a formação por meio de palestras, seminários, rodas de conversa e lançamentos de livros; a gastronomia; as feiras de produtos artesanais e iniciativas empreendedoras; as atividades educativas para crianças; e a oferta de serviços públicos, incluindo ações de atendimento à população.
Realizado desde 2023, o Festival Afrocearensidades acumula 578 ações nas três primeiras edições, com iniciativas voltadas ao reconhecimento da cultura negra, à valorização de suas expressões e ao fortalecimento das políticas de igualdade racial em todo o Ceará.
PARA MAIS SOBRE O CEARÁ, CLIQUE AQUI.

O Ceará Criolo é um coletivo de comunicação de promoção da igualdade racial. Um espaço que garante à população negra afirmação positiva, visibilidade, debate inclusivo e identitário.
