O Observatório de Produções Afro Acadêmicas (OPA) completa nesta sexta-feira (7/8) um mês em funcionamento. Criado para dar visibilidade a pesquisas científicas feitas por pessoas negras, o espaço também mapeia organizações com atuação no ensino superior brasileiro voltadas à promoção de saberes de estudiosos pretos e pardos.
Trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses, artigos e outras produções de autores negros estão sendo reunidas no site oficial do OPA para facilitar a busca de quem deseja ler e citar essas publicações. A iniciativa é definida pelos fundadores como “repositório temático, espaço de intercâmbio e fonte de dados sobre a produção intelectual negra no ensino superior”.

Quem tiver interesse de ter pesquisas disponibilizadas no OPA, basta criar um perfil na plataforma e disponibilizar o material. Tudo é gratuito, mas passa por avaliação prévia da equipe gestora do portal. O pesquisador, aluno ou professor pode submeter quantos arquivos quiser. Até o momento, há materiais e autores de 17 estados.
Embora tenha sido criado em 2026, o Observatório de Produções Afro Acadêmicas foi concebido dois anos antes, em 2024, durante a pesquisa de mestrado em Comunicação Intercultural da publicitária Livia Albuquerque, exatamente em resposta à dispersão da produção acadêmica negra. Em 2025, o projeto viveu uma fase inicial de mobilização de voluntários nas redes sociais e agora iniciou de fato as atividades. Hoje, Livia mantém o site em parceria com o profissional de tecnologia Emerson Albuquerque.
Até o momento, 47 organizações que promovem a ciência negra no Brasil foram mapeadas, sendo São Paulo o estado com mais registros: 15. No Nordeste, a Bahia lidera (4). Apenas a região Norte ainda não tem indicativos.

Com tudo isso, o OPA pretende, como revela o próprio site, contribuir “para um ensino superior mais plural, no qual estudantes e pesquisadores negros sejam reconhecidos como sujeitos legítimos de produção de conhecimento”. Todo o trabalho é feito de forma independente e com a curadoria de pessoas negras.
Por ora, as dissertações de mestrado lideram os trabalhos disponibilizados pelos pesquisadores no Observatório de Produções Afro Acadêmicas, com 23 documentos. Monografias, TCCs e trabalhos de especializações são 15. Artigos científicos são 12. Teses de doutorado também são 12. Trabalhos ou resumos em anais de eventos são oito, além de duas outras produções, um livro e um capítulo de livro.
O acesso a todo o acervo é gratuito e é possível o usuário assinar um boletim eletrônico do OPA, que também lista os principais eventos relacionados aos universos negro e científico, notícias de portais negros de todo o país e oportunidades de publicação acadêmica.
Para ser um voluntário do Observatório de Produções Afro Acadêmicas, é só entrar em contato com a equipe.
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Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.
