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Home»Colunas»#PartiuWakanda?! #Partiu!
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#PartiuWakanda?! #Partiu!

Anna Erika F LimaBy Anna Erika F Lima30 de Agosto, 2020Updated:2 de Setembro, 20201 comentário3 Mins Read
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Partiu, Wakanda?! Partiu! Lembro que esse convite, seguido de uma resposta sempre enfática, circulou bastante entre amigos. E também ouvia de meus alunos em aula, nos intervalos e na sala do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) de Fortaleza. Essas falas eram expressadas com um sorriso que dava esperança. Não lembro quantas vezes assisti Pantera Negra, mas é certo que em todas elas a felicidade era o sentimento mais presente.

Chadwick Boseman fez da arte uma expressão da vida em sua maior obra. E o cinema, ao criar uma narrativa que deu voz aos processos históricos e culturais dos povos africanos, não apenas proporcionou representação visual, mas estabeleceu reflexões estéticas, políticas e culturais sobre o racismo estrutural e as desigualdades advindas do colonialismo gerado pela primeira crise do capitalismo.

“O colonizador trabalhou duro na aniquilação de nossas memórias para que tudo que ele quisesse nos oferecer fosse o bastante; Pantera Negra nos mostrou que não é”, afirmou a querida amiga, professora e estudante de Direito, Louise Santana essa manhã.

Como o Pantera Negra, invariavelmente, Chadwick Boseman foi fundamental para estabelecermos a partir do cinema tais reflexões críticas. Existem protagonistas, a exemplo de Boseman, que possibilitam que suas obras nos deem fôlego para lutarmos contra as injustiças, os golpes, as desigualdades de gênero, o desrespeito à nossa ancestralidade e, acima de tudo, contra a diminuição e a não oportunização dos espaços justos e de merecimento do nosso povo, os quais têm sido tão diminutos!

Ratifica-se que esses diminutos espaços são cada vez mais ameaçados pelo discurso da supremacia branca, que nunca, especificamente na história brasileira, havia sido incorporado de maneira mais ativa, conforme o professor Silvio Almeida (2020). O que sempre houve, na maior parte da história do país, de acordo com o professor (op.cit.), foi o discurso da superioridade branca, ou seja, quanto mais branco for, mais superior você é; o que é uma grande ilusão, uma vez que essas pessoas se acham brancas, mas, se saírem do Brasil, não são.

Paro nesse momento e penso o quanto é importante a representatividade! A representatividade como um projeto político comum que difere do projeto de supremacia indicado acima. Falo de um projeto que dê força para o nosso povo ocupar o que lhe é de direito e veja que, estando nesses espaços, é possível estabelecer frentes para que outros também galguem oportunidades e visibilidade, tendo nesse processo o objetivo de combater as tentativas de bloquear posições contrárias ao interesse do poder instituído.

Estas posições contrárias se pautam em impedir que as minorias evoluam politicamente, algo que só seria possível, de acordo com Silvio Almeida (2019), com o exercício da crítica. Sempre pensamos nisso enquanto ativistas e pesquisadores da pauta étnico-racial, mas a vida dá uma chamada mais forte quando aqueles que proporcionaram a materialidade desses sonhos partem. Esse ano tem sido difícil. Quantos que fazem da Arte sinônimo de todos esses projetos fizeram sua passagem? Cito Chica Xavier, Gésio Amadeu, Little Richard…

Óbvio que incorporarmos os sentimentos de perda e imobilismo é algo conveniente para os racistas, pois, sem a possibilidade do conflito, conforme pode-se identificar no Livro Racismo Estrutural (2019), cria-se um ambiente de constrangimento todas as vezes que negros demonstram divergir de medidas tomadas por uma instituição de maioria branca. Sentir a perda? Sim. Nos imobilizarmos? Nunca! O imobilismo e a inação devem ser combatidos!

Espero que em 2021, quando reler essas linhas, cada um de nós esteja mais alegre com os novos atores da Arte de construir um novo mundo e mais motivado por acreditarmos na força transformadora do reino de Wakanda!

anna erika
Anna Erika F Lima

Doutora em Geografia, mestra pelo Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema-UFC) e graduada em Licenciatura e Bacharelado em Geografia. É professora do Instituto Federal de Educação, Ciência
e Tecnologia (IFCE), onde coordena o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) de Fortaleza. É ativista e pesquisadora na área de Segurança e Soberania alimentar, Direito Humano à Alimentação Adequada, Cultura Alimentar e Justiça Alimentar.

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1 comentário

  1. Iara Gomes on 30 de Agosto, 2020 16:22

    Muito importante ouvir sobre esse “projeto que dê força para o nosso povo ocupar o que lhe é de direito e veja que, estando nesses espaços, é possível estabelecer frentes para que outros também galguem oportunidades e visibilidade”. Também penso como você tem sido firme nesse propósito e como já a reconhecemos como frente forte nesse embate (que é cotidiano)!

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