Aos 92 anos, Tiana Cardeal, considerada a mulher travesti mais velha do Brasil, se tornou um símbolo de resistência no Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira (29). Ela desafia as estatísticas que apontam a baixa expectativa de vida de pessoas trans e travestis no Brasil. Criada em 2004, a data reforça a luta pelo fim da violência, da discriminação e dos retrocessos em direitos.
Dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam redução de 34% nos assassinatos de pessoas trans em 2025 em relação a 2024. Ainda de acordo com o documento, “o cenário permanece adverso, com aumento de casos de tentativas de assassinato e a ausência de políticas públicas efetivas para combater essa violência”.

Nesse cenário, a história de Tiana, mulher travesti negra, pode ser considerada um testemunho de superação e resiliência. Seu percurso reúne desafios, incluindo jornadas de trabalho exaustivas, desavenças familiares e episódios de transfobia. Apesar dos obstáculos, Tiana tornou-se fonte de inspiração para a nova geração de jovens trans e travestis, mostrando a força da perseverança.
Em reconhecimento à história dela que mora em Governador Valadares (MG), o curta-documentário “Meu Nome é Tiana”, dirigido por Dafny Bastet, em parceria com o coletivo House of Bastet, celebra a coragem e a resiliência da mais velha diante da violência contra pessoas trans no Brasil.
O filme retrata como Tiana divide o tempo entre a fé católica e a comunidade LGBT, e integra a segunda temporada da série Narrativas Negras Não Contadas. Está disponível na HBO Max e no canal HBO, em parceria com a Warner Bros. Discovery (WBD).
TRANSFOBIA É CRIME
Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, devido à omissão do Congresso Nacional em aprovar uma lei específica, as condutas homofóbicas e transfóbicas, devem ser enquadradas na Lei dos Crimes de Racismo (Lei nº 7.716/1989) – o que torna essas discriminações passíveis de punição como racismo no Brasil.
Em agosto de 2023, o STF também reconheceu que ofensas discriminatórias praticadas contra pessoas LGBT podem ser enquadradas como crime de injúria racial, o que amplia a proteção penal individual em casos de ataque à honra por motivo de orientação sexual ou identidade de gênero.
Denuncie quaisquer atos de transfobia ao Disque Direitos Humanos — Disque 100.
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