Vem de Conceição Evaristo o tema da Parada LGBTQIA+ do Ceará deste ano, que acontece no próximo dia 28 de junho. “25 anos combinando de não morrer” faz referência à célebre frase da escritora no livro “Olhos d’água”. Nela, a mineira destaca a capacidade do povo negro de sobreviver ao racismo. “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”, afirma.
Para o contexto da Parada, o “nós” é a população LGBTQIA+. Isso porque, no mundo, o país que mais mata essas pessoas é o Brasil. E isso acontece há 17 anos consecutivos, sobretudo no que diz respeito às mulheres trans e travestis negras, segundo estudos desenvolvidos e publicados pela Associação Nacional de Travestis (Antra).
Presidenta do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), organização que desde 1999 organiza a Parada LGBTQIA+ do Ceará, a antropóloga Dáry Bezerra destaca: “nós esperamos que seja uma parada de grande celebração, mas também de demonstração da nossa luta. Porque ano após ano as ondas conservadoras tentam acabar com as paradas e agora mesmo nós vemos a parada de São Paulo sendo sabotada nos financiamentos. Estamos atentas para que esses ataques não aconteçam aqui no Ceará e já estamos pensando em estratégias para contra-atacar, caso aconteçam. Não vamos ficar caladas”.

Até o momento, oito trios elétricos estão confirmados na Parada LGBTQIA+ do Ceará deste ano. Pela primeira vez, o evento terá a ala “Diversidade e Acessibilidade”, na qual ficarão pessoas com deficiência e condições específicas. A demanda foi apresentada ao Grab pela Associação de Surdos LGBT do Ceará. Além de um setor reservado na avenida, os trios receberão essas pessoas – caso elas desejem – e intérpretes de libras serão disponibilizados para o momento da militância, que marca o início da marcha pela avenida Beira Mar.
Também serão distribuídos abafadores de som para pessoas com hiperssensibilidade a ruídos. “A gente vem dialogando sobre isso há algum tempo. Ano passado, fizemos alguns experimentos que deram certo. Este ano, estamos ampliando as ações porque não dá pra pensar em igualdade de oportunidades e ignorar a população com deficiência. Muitos LGBTs têm deficiências ou condições específicas e precisam ter garantido o direito de participar da Parada com segurança”, acrescenta Dáry Bezerra.
SERVIÇO
25ª PARADA PELA DIVERSIDADE SEXUAL DO CEARÁ
QUANDO: 28 de junho, a partir das 15 horas.
ONDE: avenida Beira Mar, em Fortaleza.
ENTRADA: gratuita.
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