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Home»Notícias»Pesquisa revela origem genética de escravizados nas américas; pretos do Brasil vieram do Congo e Nigéria
ORIGEM NIGERIANA
FOTO: Chiamaka Nwolisa
Notícias

Pesquisa revela origem genética de escravizados nas américas; pretos do Brasil vieram do Congo e Nigéria

Bruno de CastroBy Bruno de Castro2 de Agosto, 2020Updated:7 de Agosto, 20202 comentários3 Mins Read
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Uma pesquisa feita com 50,2 mil amostras de DNA de pessoas diferentes indica uma origem curiosa dos negros escravizados nas américas entre os séculos 16 e 18. Conforme pesquisadores da companhia 23andMe e da Universidade de Leicester, no Reino Unido, há traços genéticos típicos da região onde hoje ficam Nigéria e Benin.

Ambos são países do continente africano. Mas como não há documentos que comprovem um alto fluxo de escravizados entre esses territórios e as américas, os estudiosos creem que isso é explicado pelo tráfico de escravizados dentro da própria África numa época na qual o comércio transatlântico já sofria sanções internacionais.

Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico American Journal of Human Genetics. Para chegarem a essas conclusões, os pesquisadores traçaram um paralelo entre o perfil genético de descendentes de escravizados e os documentos históricos disponíveis sobre a escravidão.

Estima-se que mais de 12 milhões de africanos – entre homens, mulheres e até crianças – foram trazidos para as américas forçadamente de 1515 a 1865. “Isso teve um significativo impacto social, cultural, de saúde e genético”, afirma o estudo.

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FOTO: Ayo Ogunseinde

Só para o Brasil, acredita-se que mais de dois milhões de negros foram traficados nesse período e outros dois milhões morreram no trajeto África-América. A pesquisa indica que a maioria das conexões genéticas brasileiras se dá com populações do centro-oeste da África, em especial com a República Democrática do Congo.

“Isso não surpreende, uma vez que os dados estimam que quase 2 milhões de africanos escravizados foram transportados diretamente (dali) para o Brasil”, disseram, à BBC News Brasil os pesquisadores Steven Micheletti e Joanna Mountain, da empresa 23andMe.

Os afro-brasileiros que vivem na região Nordeste têm ancestrais congolenses e da Nigéria, enquanto no Sudeste o que predomina é a genética do Congo.

Mais detalhes da pesquisa você confere clicando aqui.

A divulgação desse mapeamento genético de larga escala – com mais de 50 mil amostras – acontece dias depois de vir a público uma pesquisa que indica a origem do povo cearense como majoritariamente nórdica, dos vikings. Aqui, mais de 70% da população é autodeclarada preta ou parda, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Ceará tem quase nove milhões de habitantes e o estudo analisou o DNA de apenas 160 indivíduos, o que causou revolta de diversas entidades representativas do povo negro e indígena. Confira artigo do historiador Hilário Ferreira sobre o assunto:

Ser descendente de vikings seria “a patologia social do branco” cearense?
bb
Bruno de Castro

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.

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View 2 Comments

2 comentários

  1. Sidnei on 9 de Outubro, 2020 12:56

    Pode indicar o link do artigo?

    Reply
    • Ceará Criolo on 13 de Outubro, 2020 08:45

      https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53534656

      Reply

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