Autor: Bruno de Castro

Comunicólogo e mestre em Antropologia, é especialista em Jornalismo Político e Escrita Literária e tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra e colaborador do El País Brasil. Atua hoje como assessor de comunicação. Venceu o Prêmio Gandhi de Comunicação, o Prêmio MPCE de Jornalismo e o Prêmio Maria Neusa de Jornalismo, todos com reportagens sobre a população negra. No Ceará Criolo, é repórter e editor-geral de conteúdo. Escritor, foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura 2020.

Menos de 24 horas depois de o eleitorado brasileiro escolher um candidato racista, homofóbico, misógino e sem qualquer conhecimento econômico como 42º presidente da República, os casos de preconceito se multiplicam a perder de vista. Dentro e fora das redes sociais. É postagem sobre “abertura oficial de caça aos negros, gays e comunistas”. É foto de um menino FANTASIADO DE ESCRAVO cuja legenda diz “vamos abrasileirar o negócio”. É gente cobrando que determinada cantora drag queen cumpra a promessa e deixe o país. Basta ter estômago e dar um breve passeio no Facebook e Instagram. Por tratar-se de uma figura…

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Sim, eu me dei ao trabalho de olhar as diretrizes de governo que cada um dos 13 candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Você sabe quantas vezes o termo “negro(a)” aparece nos documentos? Sim, eu fiz a conta. Guilherme Boulos: 148 vezes. Fernando Haddad: 29 vezes. Ciro Gomes: 16 vezes. João Goulart: 16 vezes. Vera: 6 vezes. Marina Silva: 5 vezes. Henrique Meireles: 4 vezes. Geraldo Alckmin: 1 vez. João Amoêdo: nenhuma vez. Eymael: nenhuma vez. Daciolo: nenhuma vez. Álvaro Dias: nenhuma vez. Jair Bolsonaro: nenhuma vez. Sim, o…

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Esta semana, uma criança de apenas dez anos sofreu ataques racistas de um colega de sala em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, dentro da escola. Para além da questão sócio-étnico-racial, que por si só já é um completo absurdo, o caso ganhou repercussão pelo contexto político no qual se deu. O argumento utilizado no ataque a Ayanna foi: “Bolsonaro já ganhou e garantiu que vai resolver essa mistura. Se seus pais vierem falar merda, a gente mete bala.” A reprodução do diálogo foi feita pela própria garota aos pais, que de pronto acionaram professores e a coordenação do colégio. A solução:…

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No Brasil, 67% dos presos são negros. Isso significa que a terceira maior população carcerária do planeta tem cor e endereço. É das comunidades pobres de onde saem esses sujeitos de direitos historicamente negados, de deveres historicamente exigidos e de existência historicamente invisibilizada. Seja como vítima ou como autor de crime, é o homem negro quem prioritariamente consta nas fichas de delegacias e nos programas policiais. E esse índice de 64% só não é maior porque muitos desses detidos certamente sequer se enxergam negros, como tantos outros negros ainda “livres.” Dizer que nossos presídios têm detentos com perfil bem definido…

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