Menos de 24 horas depois de o eleitorado brasileiro escolher um candidato racista, homofóbico, misógino e sem qualquer conhecimento econômico como 42º presidente da República, os casos de preconceito se multiplicam a perder de vista. Dentro e fora das redes sociais. É postagem sobre “abertura oficial de caça aos negros, gays e comunistas”. É foto de um menino FANTASIADO DE ESCRAVO cuja legenda diz “vamos abrasileirar o negócio”. É gente cobrando que determinada cantora drag queen cumpra a promessa e deixe o país. Basta ter estômago e dar um breve passeio no Facebook e Instagram. Por tratar-se de uma figura…
Autor: Bruno de Castro
Sim, eu me dei ao trabalho de olhar as diretrizes de governo que cada um dos 13 candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Você sabe quantas vezes o termo “negro(a)” aparece nos documentos? Sim, eu fiz a conta. Guilherme Boulos: 148 vezes. Fernando Haddad: 29 vezes. Ciro Gomes: 16 vezes. João Goulart: 16 vezes. Vera: 6 vezes. Marina Silva: 5 vezes. Henrique Meireles: 4 vezes. Geraldo Alckmin: 1 vez. João Amoêdo: nenhuma vez. Eymael: nenhuma vez. Daciolo: nenhuma vez. Álvaro Dias: nenhuma vez. Jair Bolsonaro: nenhuma vez. Sim, o…
Esta semana, uma criança de apenas dez anos sofreu ataques racistas de um colega de sala em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, dentro da escola. Para além da questão sócio-étnico-racial, que por si só já é um completo absurdo, o caso ganhou repercussão pelo contexto político no qual se deu. O argumento utilizado no ataque a Ayanna foi: “Bolsonaro já ganhou e garantiu que vai resolver essa mistura. Se seus pais vierem falar merda, a gente mete bala.” A reprodução do diálogo foi feita pela própria garota aos pais, que de pronto acionaram professores e a coordenação do colégio. A solução:…
No Brasil, 67% dos presos são negros. Isso significa que a terceira maior população carcerária do planeta tem cor e endereço. É das comunidades pobres de onde saem esses sujeitos de direitos historicamente negados, de deveres historicamente exigidos e de existência historicamente invisibilizada. Seja como vítima ou como autor de crime, é o homem negro quem prioritariamente consta nas fichas de delegacias e nos programas policiais. E esse índice de 64% só não é maior porque muitos desses detidos certamente sequer se enxergam negros, como tantos outros negros ainda “livres.” Dizer que nossos presídios têm detentos com perfil bem definido…