Autor: Bruno de Castro

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.

A cor do Francisco José Pereira de Lima chega antes dele em qualquer canto. Está na identidade. Não na de papel. Na alma. Deixou de ser cor, na verdade. Virou nome próprio. Vem quase junto com o sorriso. Ou dentro de uma camisa com motivos africanos e boné com a estampa de um negão black Power irado. Aos 42 anos, a pisada mansa prepara o terreno para um discurso incisivo. Chocante, muitas vezes. Até mesmo pra quem é negro. “A gente estabeleceu na Cufa [Central Única das Favelas] uma cota pra branco de 10%. Porque toda instituição o branco toma,…

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O Ceará Criolo participou nesta segunda-feira (26/11) de mais um importante debate sobre a população negra. No Instituto de Cultura e Arte (ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, o coletivo discutiu a importância de uma representatividade plural. Essa foi a segunda visita do CC ao curso de Publicidade e Propaganda da UFC em menos de um mês. A primeira aconteceu no último dia 31 de outubro, quando o Ceará Criolo completava uma semana no ar. O encontro desta vez foi com alunos da disciplina de Teorias da Comunicação, ministrada pela professora Helena Martins. “O Ceará Criolo nada…

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No estado brasileiro onde negros não povoam o imaginário popular; onde “essa história de que preto existiu aqui é conversa fiada”; e onde “se teve preto, foi pouco, quase nada”, 85 comunidades quilombolas resistem no Ceará. Ao tempo. À tirania dos homens. À vilania dos sistemas. Ao embranquecimento dos corpos. À invisibilização dos povos. Localizados em diversas regiões do estado, esses pedaços de chão reúnem grupos com trajetória própria. Reminiscências gêmeas. São prova viva tanto de que o povo preto existe aqui quanto de como ele é imenso, combatente e necessário para a composição da sociedade brasileira. Do contrário, esses…

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Números e curiosidades. – 4,8 milhões de africanos desembarcaram no Brasil entre 1550 e 1860 – O IBGE utiliza critérios étnico-raciais datados de 1872 – O Brasil abriu-se para receber indígenas africanos somente em 1960 – Racismo é considerado crime na Constituição Federal de 1988 – Em 1996, o Governo FHC reconhece o Brasil como um país racista – O Estatuto da Igualdade Racial existe desde 2010 – 2011 foi declarado o Ano do Afrodescendente pela Organização das Nações Unidas (ONU) – 67% da população carcerária brasileira é negra – O feriado do Dia da Consciência Negra é celebrado em…

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A quase inexistência de negros no cenário político brasileiro não se resume aos governos. A falta de representatividade étnico-racial também é crítica nos parlamentos. No Ceará, o resultado das eleições deste ano mostra isso muito claramente. Dos 46 deputados estaduais eleitos, apenas um é autodeclarado preto: Soldado Noélio (Pros). Entre os 22 deputados federais eleitos, também somente um, José Airton Cirilo (PT), se autodeclarou preto. Ou seja: 68 nomes escolhidos e só duas de todas essas cadeiras serão ocupadas por pessoas negras. Aqui e em Brasília. A situação é grave, muito grave, em ambos os cenários. Como um estado com…

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