Autor: Bruno de Castro

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.

No estado brasileiro onde negros não povoam o imaginário popular; onde “essa história de que preto existiu aqui é conversa fiada”; e onde “se teve preto, foi pouco, quase nada”, 85 comunidades quilombolas resistem no Ceará. Ao tempo. À tirania dos homens. À vilania dos sistemas. Ao embranquecimento dos corpos. À invisibilização dos povos. Localizados em diversas regiões do estado, esses pedaços de chão reúnem grupos com trajetória própria. Reminiscências gêmeas. São prova viva tanto de que o povo preto existe aqui quanto de como ele é imenso, combatente e necessário para a composição da sociedade brasileira. Do contrário, esses…

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Números e curiosidades. – 4,8 milhões de africanos desembarcaram no Brasil entre 1550 e 1860 – O IBGE utiliza critérios étnico-raciais datados de 1872 – O Brasil abriu-se para receber indígenas africanos somente em 1960 – Racismo é considerado crime na Constituição Federal de 1988 – Em 1996, o Governo FHC reconhece o Brasil como um país racista – O Estatuto da Igualdade Racial existe desde 2010 – 2011 foi declarado o Ano do Afrodescendente pela Organização das Nações Unidas (ONU) – 67% da população carcerária brasileira é negra – O feriado do Dia da Consciência Negra é celebrado em…

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A quase inexistência de negros no cenário político brasileiro não se resume aos governos. A falta de representatividade étnico-racial também é crítica nos parlamentos. No Ceará, o resultado das eleições deste ano mostra isso muito claramente. Dos 46 deputados estaduais eleitos, apenas um é autodeclarado preto: Soldado Noélio (Pros). Entre os 22 deputados federais eleitos, também somente um, José Airton Cirilo (PT), se autodeclarou preto. Ou seja: 68 nomes escolhidos e só duas de todas essas cadeiras serão ocupadas por pessoas negras. Aqui e em Brasília. A situação é grave, muito grave, em ambos os cenários. Como um estado com…

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Nenhum estado brasileiro será administrado por um governador autodeclarado preto pelos próximos quatro anos. Todos os 27 eleitos em outubro, seja em primeiro ou segundo turno, para o mandato 2019-2022 apresentaram-se ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – e, consequentemente, ao eleitorado – como brancos ou pardos. Sintomático. Senão, vejamos. Mais da metade da população brasileira (54%) se diz negra. Ou seja: preta e parda. Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais dessa etnia. Há estados nos quais o índice beira 80% da população total. Mas nem isso foi garantia para essas regiões elegerem governadores pretos. Em TODAS as regiões, os…

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Esqueça a imagem tradicional que você tem da Turma da Mônica. Esqueça a delicadeza dos personagens do Maurício de Sousa. Nos traços do artista paraibano Gabriel Jardim, o quarteto que morou no imaginário de muita gente (inclusive no nosso do Ceará Criolo) é, na verdade, a Turma do Morro. Todos são adultos (ou, pelo menos, adolescentes bemmmm crescidinhos). E, como o próprio nome do projeto sugere, todos moram em comunidades pobres do Brasil. Ah, um detalhe BEM importante: Cebolinha e Cascão são NEGROS. Cebolinha, na verdade, é DJ Cebola; e Cascão virou MC Cascão. Ambos se mostram como jovens muito…

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