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16 de Outubro, 2021
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Conheça Biri Biri, lenda gambiana e primeiro jogador negro do Sevilla FC

Atacante do Banjul foi o primeiro jogador negro do Sevilla e se tornou um ícone para os Rojiblancos na década de 1970; poucos jogadores na história deixaram uma marca tão indelével em um dos clubes mais icônicos da LaLiga quanto ele

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Em 30 de setembro de 2017, os torcedores do Sevilla FC presentes no Ramón Sánchez-Pizjuán entoaram o nome de um jogador que havia jogado pela última vez com as cores do clube em 1978. E a ovação foi tão intensa que parecia um ídolo atual do time andaluz. Aliado a isso, os Rojiblancos prestaram homenagem à lenda Biri Biri, antes da vitória por 2-0 sobre o Málaga naquele dia, dando-lhe um distintivo honorário de ouro.

Nascido como Alhaji Momodo Njie na capital da Gâmbia, Banjul, ele era mais conhecido como Biri Biri, nome entoado semana após semana ao longo da década de 1970 no sudoeste da Andaluzia. Ele foi o primeiro jogador da Gâmbia a atuar profissionalmente no exterior, assinando com os dinamarqueses do B 1901 Nykøbing depois de impressionar contra eles em uma partida amistosa. O Sevilla FC, então, o contratou e trouxe para a LaLiga em 1973, quando eles estavam na segunda divisão da Espanha. Foi quando o atleta gambiano estreou, em setembro daquele ano, frente ao Levante UD, sendo, assim, o primeiro jogador negro da história do clube.

Depois de marcar nove gols em sua primeira temporada no Rojiblanco, o atacante ampliou sua marca no ano seguinte (fazendo, na ocasião, 14 gols) para ajudar a garantir a promoção do Sevilla, que enfim voltada à LaLiga Santander. Alguns desses gols foram cruciais e fizeram a diferença entre empatar ou vencer, garantindo que o clube retomasse seu lugar na tabela de classificação do mais alto nível do futebol espanhol. Anos depois, o gambiano recordaria esta temporada como o melhor ano de sua vida – dentro e fora de campo.

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Biri Biri permaneceu no Sevilla FC até 1978, marcando em confrontos de alto nível contra o FC Barcelona, ​​Real Madrid e Atlético de Madrid durante sua passagem pela primeira divisão – bem como no grande clássico da cidade, o Derby Andaluz, contra o Real Betis. Embora ele possa ter deixado o Rojiblanco com quase 100 jogos na liga (99 para ser mais exato), seu legado foi muito maior.

“Muitos jogadores podem ter tido estatísticas melhores na história do Sevilla FC, mas poucos ressoaram na base de fãs tanto quanto ele”, afirmou o clube em um comunicado após sua morte em 2020. “Cinco anos foram suficientes para o gambiano ganhar um lugar permanente no coração dos torcedores, que o adotaram como uma lenda e ídolo”.

O amor de Biri Biri pelos torcedores era igualmente forte, e ele voltou várias vezes ao Ramón Sánchez-Pizjuán, mesmo depois de seu último jogo pelo clube. Em seus últimos anos, sua casa na Gâmbia foi decorada com camisas históricas e fotos de seus anos em Sevilla, enquanto sua música favorita era o canto que os fãs do Rojiblanco criaram para ele, uma adaptação da canção tradicional da Andaluzia chamada “El Vito”.

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Seu sucesso na LaLiga abriu caminho para outros jogadores da Gâmbia verem o futebol profissional como uma carreira viável, com dezenas agora indo para o exterior jogar no Reino Unido, na América do Norte, na Escandinávia ou em todo o continente europeu. Vários seguiram os passos de Biri Biri atuando em solo espanhol – incluindo Cherno Samba, Bacari, Nuha Marong, Saihou Gassama, Aboubakary Kanté, Sulayman Marreh e Omar Jaiteh.

Há sempre a necessidade de um pioneiro para abrir o caminho para outros seguirem e esse é o maior legado de Biri Biri, como o primeiro jogador profissional de futebol da Gâmbia e o primeiro jogador negro do Sevilla FC. Ele deixou um legado que nunca será esquecido no Ramón Sánchez-Pizjuán, o estádio onde eles ainda entoam seu nome até hoje, quase meio século depois.

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