Em todo samba que eu vou, Pedrina samba comigo. Não há como falar desse ritmo em Fortaleza sem falar dela. Quando essa negra chegava nos bares com sua careca e seu copinho de cachaça, as rodas, quase na sua totalidade masculinas, se abriam para acolhê-la. Ela ficava sentada balançando a cabeça na cadência quase todo o tempo, mas quando tocava Guerreira, música famosa na voz de Clara Nunes, ela levantava e dançava como se não existe mais nada além daquele momento. Era como ter uma entidade diante dos olhos. Ao final, ela gritava: Viva o Samba! Em sua casa, funcionava a…
Autor: Ceará Criolo
Na praça General Tibúrcio, mais conhecida como Praça dos Leões, fica o endereço da igreja mais antiga da cidade. Ela é pequenina, simples e em meio ao corre-corre do Centro e da vizinhança de outros prédios históricos, passa despercebida. Tombada pelo patrimônio histórico, a igreja do Rosário tem sua trajetória construída por mãos pretas. Conta-se que em 1730 um africano construiu, exatamente no atual local, uma capela de palha e taipa onde os negros se reuniam para rezar terços e novenas. Como nas demais igrejas, os pretos eram discriminados. Foi preciso construir seu próprio templo longe da vila que estava…
O Ceará Criolo participou nessa terça-feira (9/4) de uma das mesas da Semana de Jornalismo (SeJor) da Universidade Federal do Ceará (UFC). O debate sobre “Editoria de Cidades e Jornalismo Humanizado” aconteceu no auditório Rachel de Queiroz do Centro de Humanidades (CH) II, no Benfica. Representado pelo jornalista Bruno de Castro, o CC foi o único veículo em defesa de minorias a participar da discussão. Também compuseram a mesa a editora-adjunta do portal O POVO, jornalista Mariana Lazari, e a repórter de Cidades do Sistema Verdes Mares, jornalista Thatiany Nascimento. “Sou o único negro dessa mesa, mas os negros são…
O coletivo Ceará Criolo participou na quarta-feira (27) de um debate com estudantes do 4º semestre do curso de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro. O portal foi apresentado como exemplo de comunicação contra-hegemônica tendo em vista o trabalho desenvolvido na promoção da igualdade racial. Por meio de materiais publicados no portal, o bate-papo perpassou questões como identidade, ancestralidade, História do Brasil, cultura e racismo. “Na disciplina Jornalismo, Sociedade e Cidadania discutimos como o jornalismo pode contribuir para a garantia de direitos. A partir daí, analisamos ações de comunicação que vão na contramão…
É acreditando na potência transformadora das mulheres negras brasileiras na sociedade que Maria de Lourdes Vale Nascimento, assistente social, ativista e jornalista negra pauta seu discurso para instigar a participação das mulheres negras de seu tempo na política. E a força da sua fala continua inspiradora. Mesmo tendo sido uma figura feminina de destaque no Movimento Negro nos anos 1940 e 1950 e pioneira ao reivindicar, nos seus textos, a regulamentação dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas, Maria Nascimento não têm o reconhecimento merecido fora dos estudos voltados especificamente para a imprensa negra pós-abolição da escravatura ou para pensadores negros…
O carnaval é conhecido como uma das maiores festas do planeta. As escolas de samba trabalham o ano inteiro em prol da noite do desfile. Sediadas em grande parte nas comunidades pobres, essas agremiações têm nos barracões os responsáveis por dar forma a toda a beleza que nos é apresentada na avenida: o povo preto. Neste ano, duas escolas com grande tradição no samba não só trarão o negro como mote dos seus desfiles como também, cada uma a sua maneira, falarão de ancestralidade. No Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira resolveu fazer justiça a nomes negros importantes…