Autor: Bruno de Castro

Comunicólogo e mestre em Antropologia. É especialista em Comunicação e Jornalismo Político e em Escrita Literária. Também tem MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Foi repórter e editor dos jornais O Estado e O POVO, correspondente do portal Terra, colaborador do El País Brasil e assessor de órgãos públicos. Venceu 19 prêmios em diversas áreas. É agente de linguagem simples e autor de oito livros. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro escrito em homenagem à mãe.

Para além da questão criminal, o caso Flordelis expõe uma manifestação preocupante de racismo. E se a cantora gospel, pastora evangélica, líder político-religiosa e deputada federal branca fosse negra e macumbeira? E se o homicídio tivesse acontecido dentro de um terreiro? Diante desses dois questionamentos, outros tantos surgem: que tratamento o caso receberia da imprensa? Como a opinião pública reagiria a esse perfil de suposta assassina e a esse local? Qual comportamento teriam os parlamentares que estiveram ao lado de Flordelis em inúmeros atos religiosos promovidos por ela no Congresso Nacional? Como o crime estaria sendo tratado pela comunidade evangélica,…

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Existe uma máxima nas redações sobre casos policiais: eles sempre são propícios à manchete. Um mínimo detalhe pode colocar o assunto como a principal notícia da edição [aquela da capa, em letras garrafais, pra chamar a atenção do leitor e fazê-lo comprar o jornal (ou, nos tempos atuais, clicar no link)]. Fui repórter de impresso durante quase dez anos. Acompanhei o desenrolar de muita operação da PM e, consequentemente, o modo como essas operações impactaram a rotina da minha editoria. Talvez por isso, pelo afã do clique e da “venda” de uma manchete de peso, o G1 Rio, uma das…

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Olhei pro menino ainda distante e a frase dita por meu pai num tempo mais distante ainda renasceu em meu ouvido. Forte e avassaladora, como em décadas atrás, numa cena idêntica. “Podia ser tu ali.” O estopim para um sentimento incômodo, ruim, mas importante àquela época, tornar a pular no meu peito. E ser também necessário agora. “Ali” tinha endereço. Era um semáforo de três tempos. Um semáforo de três tempos em um cruzamento perigoso da cidade onde moro. O garoto estava num semáforo de três tempos em um cruzamento perigoso da cidade onde moro. Uma das mais desiguais do…

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Negros de pele clara também são negros. Também são alvos preferenciais de baculejos. Também são apontados como ladrões. Também apanham da polícia. Também são assassinados diariamente. Também têm seus corpos desaparecidos sumaria e misteriosamente em comunidades pobres. Essas vidas também precisam, portanto, ser consideradas. Elas também importam.

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